Revistas Digitais Com Temáticas Ambientais: Uma Ferramenta Possível na Sensibilização à Educação Ambiental em Locais de Educação Formal ou Informal
*Este projeto foi desenvolvido no Programa de Pós Graduação em Rede para o Ensino de Ciências Ambientais, PROFCIAMB, e cedido pela autora para a composição da 28ª Edição da Revista Pra Toda Gente.
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Apresentação
O meio digital cresceu amplamente nos últimos 20 anos com a internet e a globalização. As mídias digitais, como meio de comunicação, vem acompanhando e influenciando o homem contemporâneo e a necessidade deste em obter informações de formas mais rápidas e em qualquer parte do mundo, seja através de aparelhos tecnológicos, como smartphones, notebooks e tablets.
A globalização tornou possível a democratização de conhecimento e a facilidade em obtê-lo com apenas um clique na tela ou no mouse, afinal a internet se tornou a ferramenta de uso para troca de ideias e acesso a elas, o que fortalece o uso das tecnologias das mídias sociais em que suas utilizações “mediam as relações sociais por meio da conectividade” (Prado, 2015, p.28).
À medida em que ocorreu essa evolução comunicativa, a sociedade começou a prestar mais atenção nas mudanças climáticas e no meio ambiente, que sofreram fortes modificações com a ascensão das indústrias nos últimos séculos. Em 1972, foi feito o primeiro grande encontro internacional com diversas nações para se discutir sobre os problemas ambientais, na chamada Conferência de Estocolmo. Contudo, apenas na década de 1990 a temática recebeu maior teor, com a formulação do Protocolo de Kyoto na Rio-92.
Em estudo publicado pela Science Advances, foi demonstrado que essas preocupações com o ambiente não são únicas entre adultos e órgãos responsáveis, na verdade, os jovens estão cada vez mais sensíveis a esses temas, apesar de que seu interesse seja desigual no Brasil, mostrando que a população na região Norte é mais interessada que a região Sul. A Educação Ambiental (EA) foi assunto oficial na Conferência de Estocolmo e está na Constituição Federal, Art. 225, inciso VI, em que é dever do Estado incluí-la em todos os níveis e modalidades de ensino (Brasil, 1988).
“A EA é uma proposta educativa que nasce em um momento histórico de alta complexidade. Faz parte de uma tentativa de responder aos sinais de falência de todo um modo de vida, o qual já não sustenta as promessas de felicidade, afluência, progresso e desenvolvimento (Carvalho, 2012, p.156).
Com o interesse dos jovens e a necessidade de aplicar o ensino da EA nos currículos e materiais didáticos, como foi proposto no Congresso Internacional de Moscou (1987), é fundamental pensar em como fomentar o interesse dos alunos nas escolas, uma vez que esse interesse pode apenas ser de fato inspirado ou influenciado fora das salas de aulas através das mídias digitais. É o que aponta um estudo no periódico Sociology: os jovens compartilham, expressam e conscientizam uns aos outros em diferentes partes do mundo. Um exemplo disso é a ativista ambiental Greta Tunberg, que se tornou referência para os adolescentes de todo o mundo.
Figura 1 - A ativista Greta Thunberg participa de protesto em frente à Casa Branca, em Washington
Fonte: Sarah Silbiger, 2019.
A partir disso, surgem questionamentos de como deve ser a aplicação da educação ambiental nas instituições de ensino em um mundo moderno em que o conhecimento circula de forma rápida e viral em vídeos de menos de dois minutos. Então: “Como utilizar mídias digitais no processo de sensibilização à educação ambiental?”, “É possível alcançar grandes espaços formais e não formais?” e “Será um acesso democrático?”. Como respostas vale ressaltar que para o sociólogo Richard Miskolci mídias digitais são:
“[...] uma forma de se referir aos meios de comunicação contemporâneos baseados no uso de equipamentos eletrônicos conectados em rede, portanto referem-se – ao mesmo tempo – à conexão e ao seu suporte material. Há formas muito diversas de se conectar em rede e elas se entrecruzam diversamente segundo a junção entre tipo de acesso e equipamento usado [...]” (Miskolci, 2011, p. 12).
Pensando na junção de mídias digitais e da educação ambiental, é de importância que se explique o que é a Educação Ambiental. Loureiro (2003, p. 37 – 57) aponta que a educação ambiental pode ser entendida através de duas linhas de pensamento. A primeira considerada uma educação conservadora, pouco transformadora, cujas ações buscam apenas o status quo da condição de preservação ambiental através de ações como reciclagem, coleta seletiva e ações de economia de água e energia. A segunda, educação ambiental crítica, pautada na dialética, considera o processo em sua totalidade, cujas ações não devem ser momentâneas e sim duradouras, pois são transformadoras.
O uso da internet mudou os padrões de acesso ao conhecimento, afinal, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), 90% das casas brasileiras tem acesso a internet e 99,5% delas utilizam a internet pelo celular, dessa forma se torna mais prático e acessível a distribuição do aprendizado da EA.
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Objetivo Geral
Este projeto tem como objetivo democratizar e sensibilizar o ensino da Educação Ambiental nas escolas através de uma revista digital interativa. Ajudando não só os docentes a desenvolver melhor os materiais didáticos, mas também os alunos a criarem uma relação maior e consciente com o meio ambiente.
Figura 2 - Fotografia de uma mulher segurando um tablet digital.
Fonte: Freepik, s/d.
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Indicação de Produto
O produto para este projeto será uma revista digital interativa, como objeto auxiliador para a disciplina de Educação Ambiental. O intuito é que este material forneça facilidade e prazer em estudar o assunto, sendo que por estar inserido atualmente nos meios digitais, os jovens estão mais propensos a utilizar materiais digitais, por sua praticidade e mobilidade. Com a interação entre revista digital e usuário, a experiência do leitor se tornará mais gratificante e menos cansativa, uma vez que o hábito da leitura presente no Brasil é baixo.
Entre os anos de 2015 e 2019, o Brasil perdeu cerca de 4,6 milhões de leitores e apenas pouco mais da metade dos brasileiros têm hábitos de leitura: 52%, segundo a pesquisa feita em 2019 pelo Instituto Pró-Livro em parceria com Itaú Cultural. O estudo aponta que muitos dos entrevistados afirmaram não ter tempo para ler ou que passavam o tempo livre nas redes sociais, apontando o novo mundo globalizado e tecnológico. O e-book não está distante desse universo, segundo Shatzkin (apud Katz, 2011, p.23) as pessoas leem mais com esses aparelhos, afinal a mobilidade de levá-lo a qualquer lugar é mais prático que um livro físico, além das possibilidades que um e-reader possui: configurar o tamanho da fonte, a possibilidade de escutar áudios e ver vídeos enquanto ler. Em análise a esses dados é plausível ver a possibilidade que um material digital possui, desde que este se adapte às novas interações do mundo moderno: informações claras, rápidas e acessíveis, como afirma Shatzkin:
“[...] os livros precisarão ser mais interativos, podendo se conectar com dicionários para a procura de significados de palavras ou mostrar um mapa quando fornecer um endereço. Além disso, o livro digital poderá oferecer novas experiências ao consumidor. Algo totalmente novo como a possibilidade de colaborar na criação da história, interagir com outros leitores, permitir que áudio e vídeo sejam incluídos durante a leitura como parte do conteúdo [...]” Shatzkin (apud Katz, 2011, p.22).
Quando aqui se fala de livros, também pode-se associá-los igualmente a revistas que têm sofrido quedas de circulação mesmo adaptando-se ao ambiente virtual, segundo o Índice Verificador de Comunicação (IVC), o que torna desafiadora a produção de uma revista. Porém, o uso da interatividade, como afirmou Shatzkin (apud Katz, 2011, p.22), se faz necessário e será o motivador deste projeto.
Através do design editorial que “é uma das especialidades do design gráfico, responsável pelo projeto gráfico de uma edição. Por edição se compreende a preparação pela qual passam os originais (textos e imagens) que vão compor uma publicação, seja esta periódica ou não.” (Fetter, 2011, p. 51), planeja-se que a revista transmita de maneira legível o conhecimento usando de ferramentas de produção gráfica como layouts, grid, diagramação, tipografias e hierarquias visuais para que além de instruir, comunicar e educar o usuário (o leitor) possa também ter uma experiência de leitura agradável e imersiva.
A união entre educação e tecnologia precisa ir além de disponibilizar e digitalizar conteúdos para aparelhos como tablets e computadores, como um simples PDF. Esta harmonia deve ser uma forma de incentivo a um ensino didático que aproxime, facilite e instrua de modo prático conteúdos que possam parecer distantes ou desinteressantes à primeira vista aos alunos. Criar essa interação é uma virada de chave em prol de uma educação fluida e com capacidade de criar um interesse verdadeiro dos usuários explorarem novos horizontes.
Referências Bibliográficas
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988.
CARVALHO. R.; ABAURRE, N.; SERRÃO, M. A. Transversalidade e Inclusão: desafios do educador. 2. Ed. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2007
FETTER, Luiz. REVISTA, DESIGN EDITORIAL E RETÓRICA TIPOGRÁFICA: a experiência da revista Trip (1986-2010). 2011. 221 Dissertação (Mestre e Comunicação e informação) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, março de 2011. Disponível em: < https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/30193>. Acesso em: 16 de mar. 2021.
HUERTAS, Carolina. Transformação e desafios: qual o futuro das revistas? Meio e Mensagem. Disponível em: <https://www.meioemensagem.com.br/midia/transformacao-e-desafios-qual-o-futuro-das-revistas>. Acesso em: 13 de out. 2023.
KATZ, Fabiana. ESTUDO DE COMPORTAMENTO DE CONSUMO DE LIVROS DIGITAIS; UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL; Porto Alegre, 95 pg; 2011
LOUREIRO. C. F. B. Considerações sobre o conceito de Educação Ambiental. Revista Teoria e Prática da Educação. Maringá, v.2. n.3. p. 39-51, set. 1999.
MIRANDA, Felipe. Estudo mostra influência positiva de Greta Thunberg na juventude norueguesa. So Cientifica. Disponível em: < https://socientifica.com.br/estudo-mostra-influencia-positiva-de-greta-thunberg-na-juventude-norueguesa/>. Acesso em: 13 de out. 2023.
MISKOLCI, Richard. Sociologia Digital: notas sobre pesquisa na era da conectividade. Contemporânea – Revista de Sociologia da UFSCar, v.6, n.2, jul.-dez. 2016, pp.275-297.
NUNES, Rosemeri Coelho. Mídias aplicadas na educação e AVEA. 2. ed. rev. Florianópolis: IFSC, 2013.
PRADO, Juliana do. Dos consultórios sentimentais à rede: apoio emocional pelas mídias digitais. São Carlos: UFSCar, 2015.
SÁ, Jauri Dos Santos; WERLE, Flávia Obino Corrêa. Infraestrutura escolar e espaço físico em educação: o estado da arte. Cadernos de Pesquisa v.47 n.164 p.386-413 abr./jun. 2017. Disponível em: <https://www.scielo.br/pdf/cp/v47n164/1980-5314-cp-47-164-00386.pdf>. Acesso em: 20 ago. 2020.
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